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domingo, 10 de junho de 2012

Bem vindo a "Seu Sangue"


Olá! Seja bem vindo(a) a Seu Sangue!

Seu sangue foi concebido como livro, tradução direta do livro "Dit blod" da Organização Dinamarquesa de Doadores de Sangue, na época em que eu coordenava a Associação Brasileira de Voluntários do Sangue.

Infelizmente a falta de tempo e recursos fez com que eu me afastasse da associação, mas não da causa. Por isso, "Seu sangue" ressurge agora como blog - uma maneira simples e eficiente de não deixar que seu conteúdo importante se perca por falta de edição.

Os capítulos estão numerados no topo da página. A ideia é deixá-los disponíveis e ir trabalhando para atualizar o conteúdo e melhorar a arte do material, até poder transformá-lo em um e-book para distribuição gratuita.

Toda ajuda é bem vinda: na revisão do conteúdo, no design e ilustração do material, na configuração e divulgação do blog, na criação do e-book, etc. Se você topar ser um(a) voluntário(a) entre em contato comigo pelos comentários ou pelo email: umagoramelhor@gmail.com.

Espero que este material incentive mais pessoas a se tornarem doadores de sangue, salvando vidas!


Um abraço!
Letícia

Capítulo 11 - Doador de sangue - Ser ou não ser?



Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a porcentagem mínima de doadores de sangue de um país deve ser de 3%. No Brasil, no entanto, apenas 1,7% a 1,8% da população com idade entre 18 e 65 anos doa. Destes, 50% são doações de reposição, feitas por familiares, amigos e conhecidos para pacientes específicos. Este valor é insuficiente para cobrir toda a necessidade de sangue. Este capítulo faz algumas considerações no que existe por trás de ser um doador de sangue e aponta possíveis razões para que uma pessoa não o seja.

Devo ou não devo?

O conhecimento da necessidade de sangue é o primeiro passo para que uma pessoa se torne doador. Sabe-se que a grande maioria das pessoas já escutou falar algo sobre a doação de sangue, algumas até consideraram tornar-se doadoras, mas a maioria nunca realmente chegou a fazê-lo. Existem algumas razões, emocionais e práticas, para isto.

Emocionais: podem estar relacionadas com o desagrado de ir a um hospital (por medo do contato com serviços hospitalares, medo de agulhas normalmente ligadas à sensação de dor; ou ainda, medo de entrar em pânico ou perder o controle sobre si de alguma forma durante a coleta). Ou com a sensação de que a contribuição feita é tão pequena em relação ao tamanho do problema que não existe razão para fazê-la. Doador ou não, a pessoa não sentiria uma mudança perceptível no quadro geral.

Práticas: como a impossibilidade de encontrar um horário conveniente, a distância do banco de sangue, ou a falta de conhecimento dos locais e horários existentes.

Também pode acontecer que essas razões se misturem formando uma explicação perfeitamente conveniente para não doar (»Não tive tempo«), quando na realidade o que existe é o medo de ser exposto a dor ligada com a picada da agulha.

Outra causa comum é a falta de informação que leva algumas pessoas a darem atenção a mitos como:
  • Doar faz mal a saúde. Na verdade, o risco de um acidente durante a doação é muito pequeno. Todo o material é descartável e o volume retirado é reposto rapidamente com a ingestão de líquido.
  • Doar engrossa ou afina o sangue. Nada disso, o organismo controla perfeitamente a reposição de volume e de hemácias, mantendo-os sempre na mesma quantidade.
  • Doar engorda ou emagrece. Nem uma coisa nem outra, nada é colocado na veia para que a pessoa engorde e o volume do sangue é rapidamente reposto.
  • Se a pessoa doar uma vez ficará obrigada a doar sempre. Não, uma pessoa saudável pode doar regularmente, mas a decisão final é sempre do doador;
  • É preciso estar em jejum para doar. Ao contrário, o doador deverá ter feito uma refeição leve.
  • Doar sangue vicia. Claro que não, se a pessoa não doar mais nada vai acontecer.
  • O sangue será comercializado. A Comercialização de sangue é crime previsto em lei.

Razões para se tornar um doador voluntário e regular

Como há uma grande necessidade de sangue para o tratamento de diversos pacientes é muito importante que todas as pessoas se conscientizem e decidam se querem ou não se tornar doador. O objetivo deste livro é garantir uma quantidade suficiente e precisa de informação sobre a doação de sangue, para que ninguém seja impedido de ser doador por falta de conhecimento.

Alguns dos motivos para ser um doador são morais, como por exemplo:
  • Doar sangue é uma boa causa porque ajuda a salvar vidas.
  • Altruísmo, ou seja, desejo de ajudar aos demais seres humanos.
Outras razões são mais pessoais, como:
  • Receber aprovação dos demais.
  • Garantir que sangue suficiente esteja disponível em caso de necessidade (pessoal ou de uma pessoa querida).
  • Bem-estar físico e mental após a doação.
  • Reposição de sangue usado (pessoal ou por alguém conhecido).
No Brasil, onde 50% das doações são para repor o estoque usado pelos pacientes, é muito comum que uma pessoa comece a doar sangue porque alguém conhecido precisou de uma transfusão e depois continue a doar voluntariamente apenas para ajudar a outros (a motivação passa de pessoal para moral).

Quem não pode doar sangue, pode doar suor!

Esse mote inventado pela “Voluntários do Sangue” hoje é usado em muitos países para animar àquelas pessoas que adorariam ser doadoras de sangue, mas infelizmente não podem.

De forma a proteger o doador de ficar doente por causa da doação e de proteger o receptor de receber um sangue que possa deixá-lo mais doente, há regras estritas dizendo quando você pode doar sangue e quando não pode devido a comportamento de risco, doenças, uso de medicamentos, etc. Essas regras são feitas por autoridades com base em fatores comprovados cientificamente que possam afetar a segurança quando da coleta ou transfusão de sangue.

Quem não pode doar sangue, sempre pode ajudar divulgando a causa para conhecidos e participando de organizações sociais como que promovem a causa. O trabalho voluntário também é essencial para garantir a doação de sangue no Brasil.

Voluntária, não remunerada e regular

Altruísmo significa ajudar aos outros sem esperar nada em troca, mostrando humanidade. Quando você doa sangue sem ser pressionado por ninguém e sem esperar ser pago, mas porque você entende que é certo, doar sangue é um ato de altruísmo. O altruísmo é crucial para manter um sistema de doação voluntário e não remunerado.

O Altruísmo está ligado à visão da natureza humana que considera todos como iguais e a valores como humanidade, responsabilidade, solidariedade e cidadania.

Além de afirmar que a doação de sangue deve ser voluntária, a lei brasileira sobre o fornecimento de sangue, estabelece que ela deve ser não remunerada, de forma que o dinheiro não se torne uma razão para que alguém doe.

Isso porque, o pagamento pelo sangue pode levar o doador, por causa do dinheiro, a não dar informações corretas sobre sua saúde, o uso de medicamento ou condutas que possam resultar em risco de infecção. Um valor, por menor que seja, pode tentar o doador a dar sangue muito constantemente ou agir de forma irresponsável consigo mesmo ou com o paciente que recebe o sangue.

Em outras palavras, o uso de doadores remunerados poderia aumentar o risco de receptores serem infectados pelo sangue ou do doador se machucar ao dá-lo. Para evitar estes riscos, a não remuneração é um princípio internacionalmente reconhecido e respeitado pela grande maioria dos países.

A regularidade na doação é importante, principalmente para dar segurança aos bancos de sangue e hemocentros, garantindo a realização de cirurgias e tratamentos sem risco de que o sangue falte.
A escolha é sua

Provavelmente a quantidade de sangue doada por um doador ao longo dos anos não corresponderá à quantidade de sangue que o mesmo poderia receber em transfusões. A maioria das pessoas, inclusive, espera nunca passar por uma situação em que precise de sangue. Entretanto, como sempre existem pacientes que precisam de doações, é crucial que sempre haja sangue disponível em situações críticas ou potencialmente fatais.

Por isso, coletar o sangue de doadores sempre diz respeito a garantir que vidas possam ser salvas quando em risco.

Se uma pessoa começar aos 18 anos e doar apenas duas vezes ao ano, não parando até atingir os 65 anos de idade, contribuirá com 94 bolsas, aproximadamente 42 litros de sangue e poderá salvar até 282 vidas.

Apenas algo entre 1,7% e 1,8% de brasileiros doam sangue atualmente, segundo dados da Anvisa, e isso é insuficiente para que o Brasil tenha segurança transfusional. Estima-se que 5.500 bolsas de sangue sejam necessárias por dia no país.

Além disso, o número de doadores pode diminuir devido à idade, doenças, e outras coisas, por isso, é sempre necessário que novos doadores entrem no sistema. Assim, jovens que podem doar por muitos anos são especialmente incentivados a participar.

Resumo e questões

Como cada pessoa é responsável pela própria vida, a sociedade não pode forçar ninguém a doar sangue. Em outras palavras, a doação de sangue deve ser voluntária e sem que haja a pressão de ninguém.

Os doadores de sangue devem ser não remunerados porque a coleta paga gera risco do doador sentir-se tentado a doar mesmo estando doente ou contaminado. Isso afetaria a qualidade do sangue e aumentaria o risco do paciente de ser infectado.

As razões pelas quais as pessoas não se voluntariam para ser doadoras são parte emocionais, por exemplo, medo (de agulhas ou em geral), e parte devido a circunstâncias práticas que a impeçam (horário, distância, etc.).

Dá mesma forma, como existem vários argumentos para não se doar sangue, há várias razões para fazê-lo. As razões morais estão ligadas ao desejo de se fazer o que é certo e bom e de ajudar ao ser humano como um todo. Este argumento está ligado ao altruísmo (desejo de ajudar aos outros e mostrar humanidade sem receber nada em troca). As razões pessoais normalmente estão ligadas a algum tipo de retorno não monetário pela doação.

Pessoas que não podem doar sangue podem ajudar dedicando tempo e talento pela causa, como voluntários.

Aproximadamente 1,7% da população brasileira doa sangue e cerca de 5.500 bolsas de sangue são necessárias por dia. Por isso, é tão importante que cada indivíduo saudável tome uma decisão e se torne um doador voluntário de sangue.

  1. Postule dois princípios importantes e imutáveis da doação de sangue no Brasil.
  2. Quais as razões para que alguém se torne doador de sangue e como você pode agrupá-las?
  3. Quais as razões para que alguém não se torne doador de sangue e como você pode agrupá-las?
  4. O que significa altruísmo?
  5. Quantas bolsas de sangue são necessárias no Brasil por dia?

sábado, 9 de junho de 2012

Capítulo 2 - A doação de sangue no Brasil



A história da doação de sangue no Brasil começa em 1879, com o primeiro relato acadêmico sobre Hemoterapia no País. A tese de doutorado, apresentada por José Vieira Marcondes, descreve experiências com transfusões de sangue realizadas até a época e discute se a melhor transfusão seria a do animal para o homem ou a entre seres humanos.

As primeiras transfusões de sangue no Brasil

Não existem relatos precisos de quando a primeira transfusão foi realizada no Brasil.

Sabe-se apenas que os médicos Brandão Filho e Armando Aguinaga foram os pioneiros nesta prática, no Rio de Janeiro, e que umas das primeiras experiências aconteceu por volta de 1900, em Salvador (Bahia) quando o professor de Clínica Médica, Garcez Fróes, usando um aparelho improvisado por ele, transfundiu 129 ml de sangue do doador João Cassiano Saraiva, servente do hospital, em uma paciente operada de pólipo uterino.

Outros relatos semelhantes são encontrados na tese de Isaura Leitão, sobre “Transfusão Sangüínea”, defendida em 1916. Também há referências não confirmadas de um procedimento realizado pelo Hematologista Estácio Gonzaga e o cirurgião Fernando Freira de Carvalho Luz, no Hospital Português em Alto do Bonfim, Bahia.

Do período Pós –Guerra aos dias de hoje

No Brasil, após o término da Segunda Guerra Mundial, com os progressos científicos e o crescimento da demanda por transfusões de sangue, surgiram os primeiros bancos de sangue privados: serviços especializados, de organizações simples, constando de um médico transfusionista e de um corpo de doadores universais (indivíduos do grupo sangüíneo O), que eram selecionados e examinados, para comprovação de suas boas condições de saúde.

Na década de 40, a Hemoterapia brasileira começou a se caracterizar como uma especialidade médica, e diversos bancos de sangue foram inaugurados, proporcionando oportunidades de comércio e lucratividade para muitos.

A doação de sangue foi remunerada por muitos anos no Brasil.
Um artigo dos anos 40, afirma que os doadores de sangue altamente selecionados eram remunerados a 500 réis por centímetro cúbico de sangue doado ou, no caso de doadores imunizados, a 750 réis/mm3. Que não admitiam doadores benévolos, nem de emergência. E que se o paciente não tivesse recursos para pagar os serviços e exames relativos às transfusões, estaria isento de qualquer débito; o pagamento ao doador deveria ser garantido pelo serviço de transfusão.

Nos anos 50, o fato mais importante foi a fundação da Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH) e a promulgação da lei nº 1075, de 27 de março de 1950, que dispõe sobre a Doação Voluntária de Sangue.

O sistema transfusional brasileiro continuou funcionando totalmente livre de controle governamental, na década de 60. E o Governo brasileiro se viu às voltas com graves problemas devido ao sistema de coleta baseado na remuneração em espécie do doador de sangue e a falta de controle por parte dos serviços de hemoterapia. Apesar da constatação de que o sangue era veículo de transmissão de doenças infecciosas, principalmente a hepatite B, a Sífilis e a doença de Chagas, os exames sorológicos considerados obrigatórios não eram realizados na maioria dos bancos de sangue do país.

O quadro no Brasil era negro: doadores profissionais “viciados” em doar sangue, sem observar os preceitos de higiene e os intervalos recomendados entre as doações; sangue coletado e transfundido sem critérios técnicos e higiênicos; nas regiões endérmicas de doença de Chagas, a transfusão de sangue representava um dos mecanismos mais freqüentes de transmissão.

Diante da situação, em 1964, o Ministério da Saúde criou um grupo de trabalho para o estudo e a regulação disciplinadora da Hemoterapia no Brasil, que resultou na formação da Comissão Nacional de Hemoterapia, em 1965.

A Comissão Nacional de Hemoterapia e o Ministério da Saúde estabeleceram, através de decretos, portarias e resoluções, o primado da doação voluntária de sangue e a necessidade de medidas de proteção a doadores e receptores; e disciplinou o fornecimento de matéria-prima para a indústria de fracionamento plasmático e a importação e exportação de sangue e hemoderivados. Entre as suas atividades destacam-se a implantação do registro oficial dos bancos de sangue públicos e privados, a publicação de normas básicas para atendimento a doadores e para prestação de serviço transfusional e a determinação da obrigatoriedade dos testes sorológicos necessários para segurança transfusional.

A Hemoterapia no Brasil tinha legislação e normatização adequadas, porém ainda carecia de uma rígida fiscalização das atividades hemoterápicas e de uma política de sangue consistente.


Até a Última Gota

Em 1980 foi lançado o filme/documentário “Até a última gota” dirigido por Sérgio Rezende, sobre o comércio de sangue nos países do terceiro mundo. Inspirado na morte do operário Jucenil Navarro de Souza; que desempregado vendia sangue para comprar comida para a família e que morreu na porta de um supermercado logo após ter vendido sangue a uma casa de saúde em Caxias, no Rio de Janeiro. O filme conta com o depoimento da esposa de Jucenil, além de vendedores, compradores e autoridades e pessoas que lutam contra esta prática e recebeu diversos prêmios como o Prêmio de qualidade do Conecine, entre os 12 melhores filmes de 1980; e o prêmio especial do Júri no Festival de Gramado.

A doação remunerada foi também tema de versos de Chico Buarque de Holanda – que ao contar as aventuras de um típico malandro carioca, em “Vai Trabalhar, Vagabundo”, canta: "Passa o domingo no mangue, segunda-feira vazia, ganha no banco de sangue pra mais um dia".


Assim, em meados da década de 70 e início da de 80, o Governo Federal começou a implantar o Programa Nacional do Sangue e Hemoderivados (Pró-Sangue), estimulando a criação de hemocentros estaduais. Em novembro de 1977 foi inaugurado o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (HEMOPE), primeiro hemocentro do Brasil, construído com recursos dos Governos Estadual e Federal, e do Governo Francês. A este se seguiram outros nas principais cidades do País, tendo como diretrizes a doação voluntária não remunerada de sangue e medidas para segurança de doadores e receptores.

Na mesma época a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, iniciou uma cruzada por todo o País, que culminou em junho de 1980 com a extinção da doação remunerada de sangue no Brasil.

Naquela ocasião, a estratégia para a obtenção do doador altruísta, a exemplo de países desenvolvidos, era conseguir o chamado doador de reposição (familiares e amigos dos pacientes) que eram sensibilizados e conscientizados para o ato de doar. Aquilo que parecia impossível aconteceu sem qualquer desabastecimento, que era o principal temor dos organizadores da campanha. O Brasil, que naquela época tinha 80% de doação remunerada, passou a ter exclusivamente doadores voluntários.

A década de 90 trouxe o fortalecimento da rede brasileira de hemocentros passando o governo a concentrar-se, a partir de 2000, na criação e implantação de um Sistema Brasileiro de Hemovigilância. Iniciado na área de Sangue, outros Tecidos, Células da Anvisa – Agência de Vigilância Sanitária, com a proposta de alcançar todos os serviços de hemoterapia e de saúde que realizam transfusão e procedimentos integrantes do processo do ciclo de sangue no País.

Em 2002, a regulamentação do artigo 199 da constituição de 1988, que dispunha sobre a participação da iniciativa privada no sistema de saúde e comercialização de sangue, entre outros, foi finalmente aprovada, ficando proibida a doação remunerada de sangue.

Segundo dados da Anvisa, o Brasil possui hoje cerca de 1,8% de doadores de sangue, sendo 50% destes doadores altruístas (doam sem saber para quem) e 50% de reposição.

A história do Voluntariado na Doação de Sangue Brasileira

Os primeiros registros de atividades voluntárias na promoção da doação de sangue pertencem à Cruz Vermelha, organização a que Leonora Carlota Osório, se filiou inicialmente, assumindo como bandeira o combate ao comércio de sangue e o incentivo à doação voluntária e altruísta de sangue, após chegar ao Brasil em 1939.

Na década de 50, foi fundada a Associação de Doadores Voluntários do Brasil, cuja primeira presidente foi Nair Aranha.

No início dos anos 60, Carlota Osório, fundou a Associação Brasileira de Doadores Voluntários de Sangue (ABDVS), para combater o comércio de sangue e divulgar a doação voluntária. Em 1964, o então presidente Castello Branco, proclamou em homenagem a organização e seu trabalho, o dia 25 de Novembro (data da fundação da ABDVS) como o “Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue”.


"Procure um banco de sangue público: nós doamos o sangue que você doou".

Foi o slogan criado por Carlota Osório para combater a doação remunerada do sangue, que comparava os serviços públicos com os privados existentes na época.
Atualmente, tanto bancos públicos como privados trabalham com a doação voluntária e fornecem gratuitamente o sangue para seus pacientes.


Por seu importante trabalho, Carlota Osório, foi condecorada em 30 países e, no 11o. Congresso da FIODS (Federação Internacional das Organizações de Doadores Voluntários de Sangue) que aconteceu no Rio de Janeiro, recebeu o título de presidente de honra, atuando de 1984 a 1987.

Em 1997, Márcia Tedesco Dal Secco e Maria Ivone Carraro de Mendonça convocaram antigas voluntárias da ABDVS e participantes do Clube de Serviço da Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo para criarem a Associação Brasileira de Voluntários de Sangue (ABVS) que após dois anos de atividades na Fundação Pró-sangue tornou-se uma Associação independente, ligada a FIODS, e com o objetivo de promover a doação de sangue em todo o país.

Em 2000, a ABVS organizou a Assembléia Geral da FIODS em São Paulo reunindo representantes de organizações de doadores de diversos países e aproveitou o momento para homenagear a Leonora Carlota Osório, acrescentando seu nome ao da associação.

Passados 07 anos e com o surgimento de outras associações de voluntários do sangue no Brasil, assim como de Clube de Doadores. A Voluntários do Sangue decidiu re-estruturar sua atuação de forma estabelecer uma rede para a causa da doação de sangue, conforme solicitado pela própria FIODS. Buscando unir doadores, voluntários e organizações na criação de uma Federação Brasileira, sendo o primeiro passo dado nessa direção a organização do 2o. Encontro Latino Americano de Organizações de doadores de Sangue da FIODS, em Fevereiro de 2007.

Entretanto, devido à falta de estrutura e apoio o projeto “Corrente Sanguínea” que previa a criação de Clubes de Doadores e Voluntários do Sangue em parceria com Hemocentros e Bancos de Sangue, em todo o Brasil; a realização de eventos para o fortalecimento da causa e a comemoração do “Dia Mundial do Doador de Sangue” (14 de junho); não chegou a sair do papel. E em 2009, a ABVS encerrou juridicamente suas atividades. 

No entanto, aqueles apaixonados pela causa da doação de sangue nunca deixaram de acreditar que um dia a segurança transfusional por meio de doações voluntárias será realidade no Brasil. Este livro é a prova disto.

Estrutura e participação voluntária

Hoje a estrutura da coleta de sangue no Brasil é composta por uma rede de hemocentros públicos responsáveis pelo abastecimento de sangue nos hospitais públicos e alguns particulares e de diversos Bancos de Sangue privados ligados a hospitais particulares, responsáveis por abastecê-los.

Essa rede se reporta a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que é o órgão do Governo, responsável por estabelecer os padrões nacionais para a doação de sangue, assim como fiscalizar o cumprimento das mesmas.

A coleta e a análise do sangue são de responsabilidade dos hemocentros e dos bancos de sangue. E são normalmente realizadas dentro das dependências dos mesmos, embora a coleta possa acontecer em locais diversos como escolas, empresas, igrejas, etc. A esse tipo de coleta dá-se o nome de “coleta externa”.

De forma a cuidar dos interesses dos doadores e promover a doação de sangue voluntária existem diversas organizações de voluntários e clubes de doadores que atuam localmente. Muitos hemocentros e bancos de sangue possuem também uma área própria de captação para cumprir com estes fins.


A FIODS – Federação Internacional das Organizações de Doadores de Sangue, tem como principal objetivo promover em todos os países do mundo a doação voluntária, anônima e regular de sangue.



Resumo e questões 
No Brasil as primeiras transfusões de sangue aconteceram por volta de 1900 e o sistema de coleta de sangue estabeleceu-se a partir da Segunda Guerra Mundial, inicialmente com a doação remunerada.

O comércio de sangue trouxe diversos problemas. Assim, de forma a melhorar a qualidade do sangue coletado e garantir a saúde do doador, diversas ações foram tomadas pelo governo (criação do programa Pró-sangue, regulamentação da doação de sangue, lei proibindo a doação remunerada, criação do programa de Hemovigilância) e por organizações ligadas a causa.

No âmbito do voluntariado a ação de Carlota Osório e a criação da Associação Brasileira de Doadores Voluntários do Sangue, foram essenciais para o estabelecimento da doação voluntária no país e serviram de base para a criação da “Voluntários do Sangue”.

Atualmente o Brasil possui cerca de 1,8% de doadores voluntários e de reposição, continuando em busca da segurança transfusional. E a “Voluntários do Sangue”, busca estabelecer uma rede para a causa da doação voluntária, anônima, não-remunerada e regular de sangue.

  1. Quais os problemas enfrentados devido a doação remunerada de sangue?
  2. Quais as principais providências tomadas para a conquista da doação voluntária?
  3. Qual o nome do programa do Governo criado para garantir a qualidade do sistema de sangue no Brasil?
  4. Quem foi a voluntária homenageada por seu trabalho na luta pela doação voluntária de sangue?
  5. Quando foi dado o passo inicial para a criação de uma Federação Brasileira de Doadores e Voluntários do Sangue?

sábado, 27 de agosto de 2011

Seu Sangue - Um blog-livro online sobre como seu sangue pode salvar vidas.



“Seu Sangue” é um livro sobre a doação de sangue. Seu propósito é transmitir ao leitor um entendimento básico do assunto, incluindo a parte técnica e contexto neste campo, e estimulando a participação cidadã e solidária como doador de sangue. Ele também pode ser utilizado por organizações para treinamento de voluntários, para isso foram acrescentadas algumas questões ao final de cada capítulo.

Esse blog foi criado com a intenção de facilitar o acesso a informação contida no livro, que está disponível para download em pdf. Sua publicação, desde que mantida a sua versão original é livre! 

A primeira parte do livro conta a história da doação de sangue. Através dos anos, incontáveis experiências com o sangue e sua doação foram feitas, com diferentes graus de sucesso. O desenvolvimento atingido hoje mostra como um maior entendimento do sangue e de suas funções trouxe bons resultados - histórias de sucesso a serem contadas.

A segunda e principal parte foca no sangue e em suas funções assim como nas determinações e padrões por trás de uma doação de sangue correta e segura. A percepção do sangue como um órgão líquido, no controle de diferentes funções corporais, encontra-se na raiz da doação de sangue moderna. O conhecimento das partes que constituem o sangue, dos tipos sangüíneos, anticorpos e antígenos nos proporcionam um entendimento do significado do sangue e, dessa forma, a importância de um sistema funcional de doadores, que seja caracterizado por padrões elevados de segurança tanto para o doador como para o receptor.

Por fim, colocamos a doação de sangue em contexto social e destacamos algumas questões éticas. O propósito desta parte é incluir aspectos pessoais e emocionais da doação de sangue, como atitudes em relação à mesma. O leitor é convidado a refletir sobre o assunto e levado a formar uma opinião individual sobre o que a doação significa para ele.


No blog cada capítulo foi transformado em uma página, navegue e conheça mais sobre seu sangue e a doação de sangue.

É importante dizer que muitos apoiaram e contribuíram com a realização deste livro. Agradecemos em especial nossos amigos da organização de doadores de sangue da Dinamarca (Blodonorerne) que nos disponibilizaram a tradução em inglês do seu livro “Dit Blod” que serviu de base para este material. Aos Drs. Fausto Trigo, Joyce Gogoy Cotomacio, Márcia Mitiko Otani, Nelson Hamerschlack, Patrícia Cresoni Sierra, Silvana Matana e Youku Nukui pela revisão especialmente do histórico da doação de sangue no Brasil e da parte médica do material. Aos representantes da ABRASTA e ABRALE, Merula Steagall e Paulo Furstenau pela contribuição com informações sobre Talassemia, Leucemia e as associações de pacientes. E aos voluntários responsáveis pela arte gráfica, tradução e adaptação deste livro a realidade brasileira.

Gostaríamos de agradecer também a todos que contribuíram em pequena ou grande escala. Sem a ajuda voluntária, não teríamos conseguido escrever “Seu Sangue”.





Letícia Côrtes Ferreira
Associação Brasileira de Doadores e Voluntários do Sangue